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BAKHITA, A AFORTUNADA !
08/02/2005


8 de Fevereiro de 2005! É festa no céu, é festa na terra, é festa no mar, é festa na Igreja! Por isso, em plena terça-feira de Carnaval, em pleno dia de sol e praia, depois de dias de chuva, a Catedral de Santos se torna pequena para abrigar tantos devotos, tanto povo que acorre à Igreja-mãe. O motivo: celebrar o Senhor , "Divino Patrão", pelas maravilhas realizadas em sua serva Josefina Bakhita, a negra escrava sudanesa, proclamada santa pelo Papa João Paulo II a 1º de outubro de 2000, celebração da qual tivemos a graça de participar em Roma. Sim, Padre Caetano Rizzi, querido amigo que presidiu a solene Eucaristia das 9h30min, por isso também eu tive que seguir o desejo do meu coração e estar aqui. Esta Eucaristia seria muito especial e comovente, porque continua viva em mim a indelével experiência daquele encontro com Deus através de Bakhita, no Ano Jubilar, e que marcará minha vida para sempre. Afinal, foi Santos, este lugar santo, esta Catedral dedicada a Nossa Senhora, que viu acontecer a milagrosa intervenção de Deus por intermédio de sua humilde serva Bakhita, em Dona Eva ... Foi aqui que se testemunhou o poder do Divino Patrão em favor dos seus pobres, dos que sofrem, dos que a Ele se confiam... Não há como negar: algo acontece em nós quando nos colocamos diante do altar lateral da Bakhita, sempre florido e iluminado. Seu olhar nos fixa, seu sorriso nos fala e contagia, seu rosto escuro nos ilumina e encanta. É indizível, mas real! Por isso, não cabem palavras para exprimir os sentimentos que me invadem, ao estar mais uma vez ali, diante do Senhor, diante de Bakhita, a afortunada ...

Nascida numa aldeia do Sudão- África, pelo ano de 1869, a pequena Bakhita foi raptada aos 7 anos e vendida como escrava diversas vezes, até que um cônsul italiano a levou para a Itália, onde finalmente foi libertada . Lá conheceu as Irmãs Canossianas, que a acolheram e educaram na fé, recebendo o Batismo, a Crisma e fazendo sua Primeira Comunhão. Mais tarde tornou-se religiosa da Congregação, sempre humilde e simples, alegre e caridosa, vivendo em Verona, Veneza e finalmente Schio, onde faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947. Eis porque hoje é festa no céu, é festa na terra, é festa no mar, é festa na Igreja! Eis porque estamos todos aqui, em festa!

Haveria tanto a dizer sobre sua vida e sofrimentos, em seu caminhar para Deus!... Impossível! Na secretaria da Catedral, bem como na Livraria Loyola, há livros, quadros, vasto material, que pode ser adquirido, pois vale a pena conhecer essa alma simples e nobre, porque ela nos aproxima de Deus, nos faz melhores, nos questiona e converte um pouco mais para o amor, a misericórdia, o perdão e a confiança em Deus, características de seu ser.

Dentre tantos aspectos de sua vida e seu modo de encarar o sofrimento e a dor, me tocam:

1) Sua misericórdia e perdão - Perguntada sobre o que faria, se encontrasse os raptores, aqueles que a venderam, dela judiaram e a fizeram tanto sofrer, ela responde: "Se encontrasse aqueles negreiros que me raptaram e mesmo aqueles que me torturaram, eu me ajoelharia a seus pés e lhes beijaria as mãos, porque se não fossem eles, eu não conheceria Jesus, não chegaria à fé cristã e não seria religiosa."

2) Total confiança no Senhor - No final de sua vida, sentindo próxima a morte, disse às Irmãs: "Vou-me, devagarinho, para a eternidade... Vou com duas malas: uma contém os meus pecados, a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do tribunal de Deus, cobrirei a minha mala toda com os méritos de Nossa Senhora, depois abrirei a outra, apresentarei os méritos de Jesus Cristo e direi ao Eterno Pai: "Agora julgai o que vedes!" Oh, estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: "Pode fechar a porta, porque eu fico!" Dá para imaginar tal cena?... Que lindo foi vê-la repetida, no final da Celebração, nos gestos e palavras da bonita negra vestida de Bakhita indo até o altar com as duas malas....Estas bem humoradas frases feitas de confiança quase infantil, lembram muito bem Santa Teresinha, desde o memorável 1º de outubro de 2000 para sempre ligada a Bakhita no meu coração e no coração da Igreja! Como não aplaudir...e chorar?... Como não se encher da mesma confiança e sorrir para o Deus Ternura que assim nos acolhe?...

Foi então, por entre lágrimas de emoção, o coração transbordando de alegria e felicidade, que entoamos mais uma vez o Hino a Bakhita que o Senhor me inspirou, e que ainda este ano lançaremos em CD, pela Paulus

Afortunada, tua fé ardente,

Te levou até Deus, já no teu coração,

A chamar-te: Oh vem!

Tu, bem-amada, ouve tua gente:

Que contigo, nos céus, o Divino Patrão,

Nós possamos louvar! Amém!"

Afortunda sou eu, pela graça desta hora, pelo encontro da terra com o céu, aqui e agora!

Ir. Miria T. Kolling

Santos-São Paulo, 8 de fevereiro de 2005.



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