As Canções Protestantes e as Celebrações Católicas

 

 

André Magalhães Lopes de Aquino é um jovem católico, que cresceu na fé cantando minhas canções desde o seu tempo de catequese. Trabalha na Pastoral do Crisma , na formação da juventude e participa da Equipe de Liturgia como orientador, na Paróquia São Judas Tadeu - Jabaquara, São Paulo.
Recebi dele o interessante e esclarecedor artigo abaixo, que com sua autorização, divulgo, para conhecimento e formação de tantos agentes da pastoral litúrgico-musical.

(Ir. Miria T. Kolling)


André Magalhães Lopes de Aquino
Quando pensamos neste assunto e o colocamos em discussão, vemos muitas opiniões sobre os mesmos. Também, durante séculos a igreja católica teve dificuldade de aceitar outros cultos, cristãos ou não, só tendo abertura a partir do Concílio Vaticano II.
Isto não é uma coisa tão incomum em nosso meio. Já cantamos na procissão da Palavra o cântico da teóloga metodista Simei Monteiro "Tua Palavra é lâmpada para meus pés, Senhor (Sl 118)", o próprio canto alternativo da CF 2004 "Aqui chegando, Senhor" é dela. Sobre este assunto, devemos ir além do "pode ou não pode", eu não vejo problemas neste assunto. Cantar, sim. Mas quais?
Sobre o canto e música na Liturgia temos o Estudo 79 da CNBB: "A Música Litúrgica no Brasil" que orienta sobre o que e quando cantar numa Celebração: critérios sobre a letra e as melodias do canto. Além disso, temos que ver também a teologia da letra. O que nos divide é o mínimo, mas existem coisas que não concordamos. Devemos também ter a consciência que muitas músicas "católicas", não são litúrgicas.
Como não cantarmos em nossas Celebrações canções como a "Canção da Caminhada" da Simei Monteiro, ou abrir a Celebração com a "Canção da Chegada" do anglicano Flávio Irala e do presbiteriano Valdomiro de Oliveira, ou ainda o "Kyrie Eleison" do anglicano João Francisco Esvael, enviar o povo para a vida cotidiana com "Carnavalito de Andar" dos metodistas "Felipe Zenteno e Leonardo Fagundes" ou "Xote da Vitória" do metodista Lean M. de Barros e João Francisco Esvael. Poderíamos, durante a comunhão cantarmos o canto "Jesus Cristo, esperança do mundo" dos luteranos S. Meincke, E. Reinhard e J. Gottinari. Justamente sobre este canto gostaria de dar uma atenção especial. Sua letra é uma profecia que retoma a realidade dos tempos da Confederação das Tribos (cf. livro de Juizes), das primeiras comunidades (cf. At 4, 32-37), das aldeias indígenas e dos quilombos. Vejamos a quinta estrofe: "Saudades de um mundo sem donos/Ausência de fortes e fracos/Derrota de todo o sistema/Que cria palácios, barracos".
Eis verdadeiras pérolas que devemos descobrir tanto nos meios católicos como nos protestantes. Infelizmente hoje as músicas têm letras muitas vezes vazias, caindo num intimismo exacerbado, totalmente fora da nossa realidade brasileira e latino-americana. Não é por isso que vamos sair atrás de quaisquer músicas e introduzirmos nas nossas Celebrações. O Estudo 79 é um subsídio para as equipes de liturgia e de canto. Jamais devemos cantar "tem anjos voando neste lugar" na abertura da Celebração, "erguei as mãos" no Hino de Louvor, etc. ou mesmo canções católicas como "tenda do Senhor" no glória, etc.
Concluo afirmando uma coisa. Os nossos irmãos protestantes cada vez mais estão descobrindo a dimensão profética e libertadora da música religiosa. Esta na hora de nós católicos re-descobrirmos a importância e a existência desta dimensão, deixando o intimismo de lado e vermos as realidades sofridas do mundo, e nas nossas canções celebrarmos e conscientizarmos nossas comunidades.

 

 

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